Título: Steampunk - Manimatron
Autores: Joe Kelly (texto), Chris Bachalo, Richard Friend (ilustradores)
Editora: Wildstorm
Data de Publicação: Março de 2001
A história de Steampunk: Manimatron
é passada numa Inglaterra alternativa do séc. XIX, na qual um déspota com
tendências melodramáticas usurpou o trono e lançou o pais numa época forçada de
industrialismo frenético. O smog
cobre o céu sobre Londres, e os habitantes parecem-se pouco com os humanos que
costumavam ser, uma vez que toda a gente tem algum tipo de modificação corporal
– asas, braços e pernas mecânicos, corpos de aranha - a imaginação (e o acesso
a matérias primas) é o limite. Lord Absinthe, o usurpador, é o típico soberano
sedento de poder, com um caso sério de complexo de Deus. Os aristocratas
deixam-se levar pelos privilégios da nova sociedade, enquanto que as classes
mais baixas, horrivelmente desfiguradas e exploradas, ocupam o seu tempo a
tentar sobreviver e a sonhar com uma revolução.
Chris Bachalo tem vindo a habituar os fãs a uma arte visionária, detalhada
e energética. Nisso, o livro não falha. Todavia, é triste quando as boas ideias
são traídas por uma execução pouco brilhante. No caso específico de Manimatron, temos a construção de um
mundo original, visualmente interessante e com potencial, que é minado por
personagens cliché, uma história relativamente banal, diálogos densos e sem
sentido, design de páginas confuso e lettering
quase indecifrável.
As personagens apresentam um design visual excelente, perfeitamente
integrado no mundo em que se inserem. Os trajes e modificações miscelâneas
reflectem o lado mais prático, tecnológico e cru da sociedade, embora a
tecnologia avançada de vapor em si seja considerado um luxo apenas acessível
aos membros da alta sociedade. No entanto, todas as personagens são típicas: o
vilão típico que só quer ter poder e dominar o mundo, o herói masculino, forte
e silencioso, a bela e gentil rapariga que é alvo das afeições do herói, a
personagem feminina badass moralmente
ambígua (completa com o já esperado impressionante par de atributos femininos),
e as personagens secundárias de comic
relief.
O design do mundo é igualmente detalhado e planeado até ao pormenor, e
teria funcionado melhor se os painéis não estivessem tão completamente
preenchidos por informação. Assim, tornam-se difíceis de decifrar, dificultando
a imersão na história. Certamente, esta dificuldade é tão óbvia que só pode ter
sido deliberada, talvez para tornar a banda desenhada mais complexa e intricada;
no entanto, depois de decifrada, a história é demasiado simples para suportar
tudo o resto. Muito estilo e pouca substância, poderia dizer-se.
Este é um livro que divide opiniões: de um lado, os fãs, que acusam os
restantes leitores de serem preguiçosos e de criticarem tudo aquilo que não
seja simples de apreender; do outro, aqueles que acham que a densidade e
complexidade são utilizados para “mascarar” uma história banal e cliché. Pessoalmente,
acredito que a marca de um bom storyteller
em banda desenhada não é a dificuldade de leitura, mas sim a dança delicada
entre a parte visual e a parte escrita, o equilíbrio entre a complexidade e
subtileza. Apesar de tudo, o mundo é suficientemente bom para manter o
interesse, e a história poderá surpreender no segundo volume.
Classificação:


Continuo de facto bastante interessado em ler o Manimatron, especialmente por dois motivos: o mundo criado, em que as pessoas usam a tecnologia para fazer modificações no seu próprio corpo e o facto de ter arte do Chris Bachalo, de quem sou fã. Tenho medo das personagens cliché me estragarem a experiência, a ver vamos, quando o livro for reencontrado.
ResponderEliminarFico com curiosidade em saber a tua opinião. Infelizmente, parece que o livro sentiu a minha desilusão e decidiu desaparecer. Quando for reencontrado, terei todo o gosto em emprestar. :)
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